Criei dentro de mim um castelo
Esculpido em medo.
Muralhas sombrias onde o vento
Sussurrava meu próprio nome.
Eu vivia entre cômodos vazios,
Onde as janelas não davam para o mundo,
Mas para abismos internos que existiam em mim.
O medo era meu guardião,
Sempre vigilante, sempre faminto.
E eu, uma prisioneira solitária
Dos muros que eu mesma ergui.
Então tua presença surgiu,
Um vulto no silêncio da noite,
O brilho nos meus olhos surgiu
Uma fenda se abriu em meu peito.
Teu toque, quase como mágica,
Arranhou a pedra fria das minhas defesas.
E meus muros até então impenetráveis,
Tremeram como se reconhecessem
Um poder mais antigo que o pavor.
Cada batida do meu coração,
Antes sufocada dentro desses muros,
Ressoou alto como um tambor,
Chamando a ruína, clamando por ti.
As paredes começaram a ceder.
Primeiro um estalo, depois uma rachadura.
E então eu comecei a enxergar uma luz fraca
Ainda distante, mas me chamando até ela.
E enfim os muros começaram a desmoronar
Lentamente, um muro de cada vez
E então uma luz forte surgiu
E você me pegou no colo,
Me abraçou antes que eu caísse no chão
Saí das sombras finamente
O seu amor por mim derrubou as muralhas
Você me deu a coragem que eu precisava
Para enfrentar e vencer tudo aquilo que me assustava.
E nos escombros do que temi por tanto tempo,
Encontrei teus braços abertos,
Prontos para me salvar do abismo
Que eu mesma havia criado.
Me entreguei à noite contigo,
Onde o medo não reina mais.
E no meio da escuridão,
Descobri que o amor também pode ser
Sombrio, misterioso...
Mas ainda assim, salvar.
By Bruna M.

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