Carrego no rosto o sol,
mas nos olhos mora a noite.
Entre flores vermelhas e douradas
descansa um coração que sangra,
feito de silêncios e versos não ditos.
Minha boca, pintada de sangue,
sorri para um mundo que não me compreende.
Meus pensamentos sombrios,
preenchem cada espaço.
Meu sangue ainda pulsa,
entre fé e abismo.
As flores na cabeça não são ornamentos,
são lembranças.
Cada pétala guarda um luto,
E também carrega uma memória.
Caminho sob céus abertos
com uma alma abandonada.
Sou jardim e sepultura.
Sou beleza que sangra em silêncio.
E enquanto o mundo vê luz,
eu cultivo sombras.
Porque há quem floresça no escuro,
e eu
sou uma delas.

