sábado, 28 de fevereiro de 2026
Armadura
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Coroa de Sombras
Carrego no rosto o sol,
mas nos olhos mora a noite.
Entre flores vermelhas e douradas
descansa um coração que sangra,
feito de silêncios e versos não ditos.
Minha boca, pintada de sangue,
sorri para um mundo que não me compreende.
Meus pensamentos sombrios,
preenchem cada espaço.
Meu sangue ainda pulsa,
entre fé e abismo.
As flores na cabeça não são ornamentos,
são lembranças.
Cada pétala guarda um luto,
E também carrega uma memória.
Caminho sob céus abertos
com uma alma abandonada.
Sou jardim e sepultura.
Sou beleza que sangra em silêncio.
E enquanto o mundo vê luz,
eu cultivo sombras.
Porque há quem floresça no escuro,
e eu
sou uma delas.
Entre flores, Espuma e Cogem
Ela vem com a noite,
traz flores na cabeça
e um sorriso que não pede licença.
Nos olhos, o reflexo de histórias não contadas.
Nos lábios vermelhos,
a certeza de quem já atravessou silêncios.
Ergue o copo,
não só de cerveja,
mas de presença.
Brinda à própria existência,
mesmo quando o mundo tenta diminuí-la.
Entre rendas e fitas,
dança com a própria sombra,
Ela não é só festa.
É memória, é presença, é espírito livre.
Carrega no corpo marcas,
e no coração uma tempestade calma.
Porque há mulheres
que não passam,
Elas marcam.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Carta de encerramento de 2025
Querido 2025,
Você não foi um ano de pressa.
Foi um ano de observação.
Aprendi a escutar o corpo com mais atenção,
a não ignorar sinais,
a cuidar — mesmo quando o cuidado cansava.
Nem tudo foi simples, mas quase tudo foi consciente.
Aprendi que a casa também fala.
Que objetos carregam energia,
que combinações importam,
que o ambiente pode acolher ou ferir.
Busquei harmonia porque precisava de silêncio bonito.
Plantei mais do que raízes em vasos.
Plantei paciência.
Esperei o tempo certo das coisas
e aceitei que nem tudo floresce no mesmo ritmo.
Questionei verdades prontas,
desconfiei do que vinha fácil demais,
protegi meus limites — no mundo e no digital.
Descobri que maturidade também é saber filtrar.
E, mesmo sem anunciar,
algo criativo cresceu em mim.
Palavras, símbolos, estética, espiritualidade.
Um desejo de expressão que não grita — sussurra.
2025, você não me levou para fora.
Você me levou para dentro.
E isso foi suficiente.
Agora eu te encerro sem peso,
com respeito e gratidão.
O que ficou, fica como aprendizado.
O que doeu, descanso.
O que nasceu, levo comigo.
Adeus, 2025.
Estou pronta para seguir — inteira, mais lúcida, mais minha.
terça-feira, 18 de novembro de 2025
As Sombras que Cresceram Comigo
Carrego comigo meus medos
Pequenas criaturas que nasceram na infância,
Quando eu tinha medo do escuro
E o lobisomem era de carne e osso .
E elas cresceram…
Ganharam espaço dentro de mim,
Vozes que sabem meu nome
E o pronunciam com familiar intimidade.
Eles ainda se escondem dentro de mim,
Em um labirinto profundo,
Esperando o momento exato
Em que irei parar para ouvi-los.
O medo do novo, do fim, do nunca,
O medo de não ser suficiente,
De ser demais e de ser nada.
O medo tortura.
Todos os meus medos marcham comigo
Dia após dia
A cada passo murmuram:
“Lembra de nós?”
A vida é uma escada alta,
E cada degrau meus fantasmas estão comigo.
Às vezes tropeço neles,
Às vezes caminho de mãos dadas.
E no entanto sigo
Mesmo com o coração em pedaços.
O caminho é um só
E eu estou cansada dos meus medos.
Porque aprendi que até o terror
Pode ser uma tocha,
Aprendi que até o medo mais infantil
Pode iluminar o abismo quando o encaro.
E assim avanço…
Entre ruínas internas,
Entre pesadelos infantis,
Entre os mais diversos medos.
Até descobrir que sobrevivência
Estava ali o tempo todo,
Mas o medo me paralisava.
Agora eu posso sentir, estou perto.
A poesia mais sombria,
Que um coração humano pode escrever
E nela irá encontrar, enfim,
A saída para sua liberdade.
By Bruna M.




